quinta-feira, 8 de março de 2012

Instantâneo momentâneo contemporâneo


hoje é hoje agora não tá longe
paciência eterna esperando como um monge
inércia em ação constância uma guitarra na ressonância
velocidade e ritmo meu sangue corre legítimo
independente de terceiros ou últimos
eu rimo como eu como eu adiciono questiono e somo
com fome com sono com frio com dono sem abono
no abandono de muitos nascem os meus intuitos
meus tutores são rústicos lúdicos, rude cos
súditos de um monarca loser babaca rebelde desacata
e descarta covardia que mata uma sociedade farta
de placas com multi marcas de multi nacionais
realidades surreais tirando sua paz e você ainda pede mais
o mito não é bonito e perfeito reconheço e não esqueço seus defeitos
enalteço seus belos feitos singelos jeitos de resistir ao tédio
trair a tradição essa é a missão derrubar prédios de cor ocre
médio medíocre

Assassinatos de gênios em alta
Artilheiros sempre sofrem falta

Gênios não têm substitutos por isso o susto quando um surge do arbusto sujo
não fujo quando vejo uma flor feia nascendo no asfalto. paro e pego um picareta e racho
o chão faço um jardim, um gramado acho que em gramacho existem cachos mas pra achá-los é preciso ser macho no sentido mais baixo

domingo, 11 de setembro de 2011

Que mais que você deseja?

Tava de bike na rua pneu de trás furado
Carregando o camelo com meu cigarro apagado
Parei em uma oficina cheia de carro parado
Mecânico relaxado tirando um sarro sentado
Falei 'coé meu parcero?' 'tu fortalece um isqueiro?'
'Aceita fósforo?' 'É lógico.' 'Aí cupadi' 'Maneiro'
Acendi meu cigarro Ainda lhe disse 'valeu...'
'Tem a possibilidade de encher meu pneu?'
'Tu quer dinheiro também?'
'Só se for nota de cem'
'Aí, tu vai me perdoar, mas dessa aí eu to sem...'
Dei uma boa risada, falei 'valeu camarada'
Meti o pé na estrada a caminho da minha morada
Pra ver minha namorada, que me esperava deitada
Na cozinha a beterraba já tava preparada
Junto com a torrada com mel e queijo de cabra
Servida numa bandeja com o tomate-cereja
Eu abro uma cerveja, ela me abraça e me beija
Que mais que você deseja, QUE MAIS QUE VOCÊ DESEJA?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A solidão

Há de se constatar que a solidão é real e intransferível, tá certo que criamos vários artifícios pra esquecê-la, linguagem, alfabeto, códigos da semiótica. Tem que tomar cuidado com essas ferramentas. Nós nos valemos dessas e outras para nos distrair do inevitável. Entrar em contato com a solidão é fundamental, há certas coisas que nem a poesia traduz, nem a filosofia, e nem a arte. Todo mundo nasce e morre sozinho, ninguém participa dessas experiências com você. E não é triste, e nem feliz, é como é. E o melhor a se fazer é encarar com a sobriedade de um adulto esse troço que eu ainda não descobri o que é, mas to tentando... enquanto isso vamos conversando.
Tem que ter presença de espírito, olho aberto como se fosse um aspirador de informação, de energia, a língua como se fosse uma cachoeira num dia de sol e ao mesmo tempo um chicote pra açoitar o surrealismo que nos circunda e tenta se passar invisível. Mas o olho tá aberto, registro imediato, combatendo absurdos com fatos.

Não durma de olhos abertos, as entrelinhas são estimulantes. E as epifanias excitantes. Experimenta, todo mundo pode. Comunica depois. Boa sorte

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008


Canarinho da alemanha que matou meu curió

Esse é o pacheco, não é canarinho da Alemanha nem Curió
É Bem-Te-Vi, e eu bem o vi assustado na calçada
Foi parar na minha mão ainda não sei como
nem piava de medo o don juanito pacheco
corajoso e aventureiro, antes de voar participou do meu caos
conheceu meus amigos e foi bem recebido.
Consegui atribuir alguma personalidade naquele monte de pena
frágil, não joguei-o fora quando cagou na minha palma
aquela aguinha quente que agora é minha lágrima
Ele passou por aqui e tá registrado. Será que eu vou revê-lo
e se for, ele vai lembrar?
A comida que eu dei era boa sim, me vieram com o papo que não.
Mas eu desacredito, eu o entreguei forte feliz piando na minha mão.
Comendo cagando piando e dormindo abrindo a boca de fome, mas pra mim, tava sorrindo.
Eu não posso provar, mas eu sinto um troço que esse código não vai traduzir
Cata um na rua que tu vai ver coé

Tchau Pacheco, Don Juanito Pacheco, eu gostei de você, po, gostei mesmo.
Eu preparei o teu vôo derradeiro, me preocupei com teu paradeiro
Quase que ia ser mais um passarinho fudido, acabou sendo meu amigo

Voa aí teu safado!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Eu voyeur

Abro janela pro sol, mas só encontro sombras
Salvo palavras, que bem colocadas tornam-se bombas
criptografia tosca caracteres verdes
Mais uma mosca capturada na inter-rede
É tudo tão hi-tech preciso de um flash back
meu perfil no site substituiu meu cep
é tudo plágio vê? é só dá ctrl + C
a indústria é frágil e vai ceder ninguém compra cd
o arquivo vai descer, baixa mp3
jpg, mpeg uns trinta de uma vez
pessoas editadas metade realidade
outra metade nada é quase liberdade
Virtualidade eufórica senso comum quimérico
Volúpia tecnológica ser humano histérico
bi-polar hemisférico pálido cadavérico
Tento manter o mérito de um personagem homérico

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Macbeths de Uganda

Murmuro como um escravo
Fora de contato, com a carne, com a dor
estou livre (?), para não me conhecer
sou apenas uma sombra. Uma mancha que não sai.
É o que somos.
Sei que vou morrer
Me colocaram nesse invólucro como um comprimido
Tem monitores, vejo pessoas, coisas, ouço sons, sinto cócegas
Sou um vírus, não consigo correr disso
Me engano, aos 60 escrevia sobre bondade
não sou bom, não penso em realmente melhorar
Essa solidão me consome... Triste.
Sou um vampiro, Macbeth, sugo e jogo fora
E a constatação me dói... sou um zumbi sem quilombo
Um personagem de Aldous Huxley.
Uma admirável bolha na multidão.
Triste vírus que não pára de cagar
se reproduzir e se mudar pra outra célula
outra bolha opa com licença me passa essa mitocôndria
Vocês não gostam de complexo de Golgi? To pasmo
É uma iguaria! hmm nham nham
Eu sou muito mais o RNA
Eu também eu também eu também eu também
eu também eu também eu também eu també.... (eco)
o amanhã o amanhã e o amanhã
E de repente ploft acaba tudo
e simbora pra outra célula, Marte talvez
é!!! Lá eu vou ter mais uns 5 filhos
FODA-SE!!! Ah se estivesse feito quando está feito
Hoje eu vou tomar um porre não me soc...

Hahahaha brincadeira gente! Eu amo vocês!!
UGANDA! HAHAHAHA HACLAC CLAC BUM TRA TRA TRA!

Viva a humanidade!

beijo tchaaaaaaauuuuu

BAM! Splash. clunk...